Pesquisar

segunda-feira, 14 de março de 2011

Salmo 70 e 71 - Momentos em que desejamos que Deus faça Justiça

Queridos, estou deixando esta reflexão escrita pelo meu pastor Raimundo que irá acrescentar à vida de vocês. Aproveitem!

“Livra-me, ó Deus! apressa-te, SENHOR, a ajudar-me! Sejam humilhados e frustrados os que procuram tirar-me a vida; retrocedam desprezados os que desejam a minha ruína. Retrocedam em desgraça os que zombam de mim. Mas regozijem-se e alegrem-se em ti todos os que te buscam; digam sempre os que amam a tua salvação: “Como Deus é grande!”. Quanto a mim, sou pobre e necessitado; apressa-te, ó Deus. Tu és o meu socorro e o meu libertador; SENHOR, não te demores!” Salmo 70.

Esses dois salmos deixam claro o desejo do coração desses dois servos de Deus. Creio ser o mesmo autor, Davi. No entanto o salmo 71 não o cita.
A oração do salmista é de desespero. Ele pede socorro a Deus. Seu desejo é clamar ao Senhor e pedir uma resposta. Nesse clamor ele não esconde seu desejo de que Deus humilhe, frustre, abata, despreze e etc., a todos que o perseguem e são seus inimigos. Tudo isso esta registrado, está em nossas bíblias. Todas essas palavras são fortes, mas estão aí no texto. O salmista consegue fazer disso música. Musica que era cantada no templo.
Essa oração de desespero é terapêutica... Sem contar que nesses dias do salmista um inimigo tinha o alvo de matar seu oponente. Seu ideal era saquear seus bens, desposar sua herança e destruir sua descendência. Esse era o contexto do salmista. Pensando dessa forma, a oração do salmista é branda e leve; olhando por esse prisma, sua oração é misericordiosa, se tratando do desejo ainda pior dos seus inimigos.
Existem muitos momentos que já senti o desejo de fazer a mesma oração... Pensei, desejei, ensaiei, e de outra forma cheguei a fazer uma oração parecida... Mas percebo que fiz uma oração parecida com essa. O fiz pelo desejo interior que me acompanhava dia e noite de realizá-la. Talvez não concretizasse como o salmista, mas a desejei fazê-la de corpo e alma... ou se não aquele gostinho de vingança... Aqueles pensamentos que voam mais altos do que nossa oração... Mas em muitos momentos sobrou esse sentimento e faltaram-me palavras. Quem sabe faltou-me coragem de chegar diante de Deus com essa suplica. Ou ainda aquela risada interna, ou ainda aquele ‘bem feito’ de saber que aquele que nos persegue se deu mal... Como isso é doce... É pior do que a oração... Assim se não fiz essa oração a desejei... E como a desejei...
Acredito que nunca fiz essa oração com muita vontade porque o freio em meu coração estava no Novo Testamento, ele me impediu. Sei que não é esse o espírito do Novo Testamento. Mesmo que ignore esse fato, ele não iria jamais me ignorar. Fazer vista grossa e ser grosso com meus sentimentos não iria funcionar. Se esquecer do Deus que virou homem e habitou entre nós é algo praticamente impossível para mim.
Jesus não orou assim... Jesus teve todos os motivos do mundo para fazer essa oração e não a fez...
Os apóstolos até tentaram fazer uma oração parecida, pedindo fogo do céu para consumirem Samaritanos, mas foram repreendidos por Jesus...
Paulo com todas suas palavras duras sabia tratar com justiça cada caso e em cadeias demonstra seu desejo de salvação por todos os que o perseguiam, fossem eles judeus ou gentios.
Não posso negar que orar como o salmista, as palavras ficam adocicadas em nossos lábios. Mas não posso negar que seguir o exemplo de nosso Mestre é muito mais difícil e desafiador.
Se olharmos pela ótica da fé, se colocarmos os óculos de Deus, compreendemos um pouco melhor o que é o amor. Fica mais claro quando Jesus diz: “Tome sua cruz e siga-me...”. Não é fácil levar nossa cruz... levá-la significa que estamos indo ao nosso Gólgota todos os dias... Esse inimigo, chamado carne, ou se preferir, chamado eu, tem que ser vencido todos os dias...
Existe um grande conflito na cabeça de muito crente achando que seu inimigo é seu irmão que o calunia, ou aquele outro que o persegue, ou quem sabe o ímpio que o ataca. Pode até existir esses tais que querem nosso mal, mas o Novo Testamento ensina que nossos inimigos reais são três: nossa carne, o mundo e o Diabo. Sendo que o mais difícil dos três é nossa carne. Jesus venceu na cruz os três. Nós precisamos resgatar diariamente a vitória de Cristo sobre nós mesmos...
Pensando assim, qualquer oração de vingança perde a força e no lugar dela nasce outra oração. Quem sabe uma oração parecida com a última oração de nosso Mestre: “Pai perdoa porque eles não sabem o que fazem...”
Ter sede de justiça é bom, mas termos justiça em nossos lábios e em nosso coração ainda é melhor...

Pr. Raimundo A. Menezes

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente aqui, deixe sua opinião.